Féileacán: entre o sonho e a realidade no novo vídeo da Finisterre

Sem nunca ter assumido preto-no-branco uma posição anti-mainstream, a comunidade surfer irlandesa tornou-se num símbolo contracultura. Encolhe os ombros ao big money da indústria capitalista do surf, mantém o ego assente na terra e cultiva, através da arte, uma personalidade misteriosa e singular que a distingue das irmandades do surf espalhadas pelo globo.

Féileacán é uma das mais recentes assinaturas visuais da evolução artística da turma irlandesa, composta por surfistas multifacetados que tanto descem montanhas de água em big wave riding, como mergulham no obscuro Atlântico norte para capturar em filme ou fotografia os movimentos orgânicos e naturais que ali se geram.

Protagonizada por Easkey Britton, Noah Lane, Matt Smith, Sandy Kerr e Fergal Smith, embaixadores da Finisterre naquelas bandas, a curta metragem é uma odisseia mística que celebra um fim-de-semana pela estrada fora em busca de ondas redondas e encontros fortuitos em estupendos cenários naturais.

“Féileacán” (pronuncia-se fell-er-kun) é a palavra irlandesa para borboleta, embora o seu significado preciso seja, de certo modo, elusivo, porque também se refer ao brilho dos deuses e à magia da chama do fogo. No folclore irlandês, contudo, acredita-se que as borboletas conseguem atravessar um véu invisível que separa o mundo real de um universo fantástico.

Exibindo cruzamentos visuais entre a realidade e o fantástico da região de Lehinch, o filme produzido por Chris McClean explora igualmente um argumento inspirado numa profecia do mago da Beat Generation Jack Kerouac: “O facto de toda a gente no mundo sonhar à noite une os seres humanos”.