Northern Nomads regista explorações da comunidade bodyboarder do norte Ibérico

Northern Nomads é um projecto que documenta as sessões exploratórias da entusiasta e pouco divulgada comunidade bodyboarder dos territórios frios e cinzentos do Minho e da Galiza. Através da fotografia, o grupo dá a conhecer não só algumas das mais impressionantes ondas do litoral nortenho da Península Ibérica, como também regista as jornadas estrada fora em busca dos melhores spots para bodyboard.

Para além de dropar umas slabs com a malta, André Alves é o homem por detrás do blogue visual, cuja maioria dos intervenientes é português. André partilha os frames que revelam o espírito nómada do grupo e as gentes e culturas daquelas regiões, acrescentando ainda imagens que detalham uma história que se adapta à mensagem de liberdade e partilha natural dos nómadas nortenhos.

O que é o Northern Nomads?

É um projecto que documenta um grupo de amigos que viaja para surfar. É o retrato do nosso dia-a-dia, do nosso lifestyle, em que mostramos as nossas viagens por Viana do Castelo e norte de Espanha. O projecto teve tão boa aceitação e as pessoas curtiram tanto que vamos aproveitar e trazer imagens sempre que viajamos. Ainda temos fotografias de outras viagens que queremos publicar.

O que é que vos motivou a reunir o vosso material fotográfico e a divulgar num blogue?

Queremos apenas divulgar à comunidade o que se passa pelo norte porque não temos assim tanta exposição quanto isso, não temos muitos meios. Além disso, sem a VERT em formato papel, temos ainda menos meios de divulgação. Quisemos apenas dar uma imagem do que andamos a fazer pelo norte.

Que tipo de cenários ou temas fotografam?

Gostamos de cenários nómadas, um bocado frios, a preto e branco. Tentamos recriar a ideia de Inverno, frio, que é basicamente o nosso dia-a-dia lá em cima. Mas também temos no blogue fotografias que não são nossas, mas que foram postas ali com o propósito de dar um enquadramento diferente ao espaço. Não têm de encaixar perfeitamente, mas dão uma ideia da mensagem que queremos transmitir.

E que mensagem é essa?

Queremos passar uma mensagem de boa vibração, do lifestyle que nós adoramos e do desporto que é a nossa vida. Durante mais de um ano, enquanto estávamos quase todos no desemprego, viajámos, surfámos e curtimos todas as semanas, pelo que queremos mostrar isso.

Como é a cena bodyboarder em Viana do Castelo?

Há muitos bodyboarders em Viana, temos uma boa comunidade. É muito mais unida do que a surfista. Somos todos super amigos, unidos e damo-nos quase todos bem. Claro que há as quezílias normais do desporto, mas temos um grupo forte e queremos é fugir ao crowd e apanhar boas ondas, sobretudo para bodyboard. Viana do Castelo é um daqueles raros exemplos em que o Inverno é pior que o Verão em termos de ondas. Por isso, nessa altura, temos de viajar três horas até à Corunha ou Galiza para surfar. Nós preferimos, enquanto bodyboarders, apanhar ondas melhores e que nos possibilitem surfar melhor e divertirmo-nos mais do que ficar na nossa cidade a apanhar ondas de merda.

Qual é o vosso spot favorito em Viana do Castelo?

No Verão paramos mais na praia da Arda, onde foi realizado o primeiro mundial de bodyboard em Portugal [n.r.: em 1994]. No Inverno é mais o Cabedelo, mas não é uma onda tipicamente bodyboarder, não apreciamos muito.

E no norte de Espanha?

A zona da Galiza gostamos sobretudo das slabs mais conhecidas e de El Faro – uma onda que dá uns triângulos espectaculares – e Corunha, que tem montes de picos fundo de areia e pedra.

Como é que se dão com a malta galega?

Ali na Galiza é tudo pessoal altamente, tudo boa onda. O Cristian Perez, que também aparece no blogue, surfa muitas vezes em Viana, juntamente com o fotógrafo Angel “Fotosplino”. Muitas vezes avisamo-lo que está bom em Viana e ele avisa-nos sobre a Galiza. É pessoal super humilde, damo-nos todos muito bem.

O que vos dá pica nesta união entre o bodyboard e a fotografia documental?

Em relação à fotografia, tivemos a sorte de ter o fotógrafo Rúben Laranjeira aka Uriel Photography a morar em Viana durante alguns anos. Foi o primeiro fotógrafo a chegar a Viana com uma caixa estanque e a seguir-nos para todo o lado. Então aproveitámospara trabalhar mais esse aspecto e fazer mais fotos. Até há dois anos para cá, nunca tínhamos tido um fotógrafo dentro de água, não havia lá em cima. Já para o bodyboard nem é preciso motivação, só o facto de podermos estar em contacto com o mar e apanhar boas ondas é suficiente. E a cada viagem que fazemos, há uma experiência nova, é uma forma de conhecermos novas pessoas, novos bodyboarders, compreendermos a dinâmica de cada sítio a que vamos. Nós, apesar de morarmos muito perto de Espanha, temos muitas diferenças para eles e isso vê-se até na forma como eles nos recebem.

O que é que vocês apreciam no estilo de vida bodyboarder?

É o próprio lifestyle, aquele estilo de vida descontraído, levar a vida de uma maneira muito slow e boa onda. Nós gostamos é de surfar entre amigos, boas ondas, sair à noite e beber uns copos.

Quem é que está envolvido nesse colectivo e o que é que cada um faz?

O Pedro Meira, bodyboarder, que até teve uma dupla página na VERT com algumas fotos que aparecem no blogue; o Cristian Perez, talentoso bodyboarder galego; o Paulo Escaleira; o Luís Gama, o Ruben Alves e o Ruben Laranjeira. Há alguns que não aparecem ainda no blogue, mas em breve aparecerão.

Em que consiste o vosso projecto paralelo – 157 – e como é que este se revela no Northern Nomads?

Isso engloba muito mais gente, mas também tem ligações ao bodyboard e ao surf. A principal ligação dos 157 é a street art. Depois foi alargando um bocadinho o conceito à cidade e aos nossos amigos. Também começámos a fazer umas roupas e uns autocolantes. Aquilo foi pegando, fomos espalhando a mensagem e hoje em dia já somos bastantes a representar o colectivo.

Qual é o futuro do Northern Nomads?

Agora passa por viajarmos, fotografarmos mais e ir registando as próximas viagens.

 

Sigam as jornadas dos Northern Nomads no Tumblr.

Fotografias: Northern Nomads

*Texto originalmente publicado em Vert Magazine.