Vert com nova edição digital dedicada à “Liberdade”

“A liberdade só existe quando todos os nossos actos concordam com todo o nosso pensamento.” Sabedoria de Agostinho da Silva na página inaugural da Freedom Issue, a mais recente edição digital da magazine de bodyboard Vert. O sexto flipbook da publicação portuguesa fundada em 1994 contou com a participação editorial do Siso e está disponível para consulta gratuita através da plataforma Issuu.

“Liberdade”, o mote desta edição bilingue (português e inglês) de 162 páginas, não se circunscreve unicamente ao bodyboard enquanto expressão física de comunhão com o oceano e a natureza. É, acima de tudo, um statement, a aferição do status quo de uma actividade que actualmente invisível, mas que é reconhecido pela influência que teve no progresso dos desportos de ondas. “Se há grupo que pode reclamar liberdade do conformismo corporativista, de ser nada mais nem menos que um grupo de indivíduos dedicados à diversão e liberdade e auto-expressão, são os bodyboarders”, escreveu Rory Parker na Beach Grit em 2014.

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The Freedom Issue inclui uma entrevista exclusiva com o actual campeão mundial, o sul-africano Jared Houston, uma crónica na primeira pessoa do fotógrafo e músico irlandês Mickey Smith, uma viagem por territórios praticamente indocumentados nas Ilhas Faroe com o fotógrafo australiano Blake Parker e uma série de galerias fotográficas carregadas de adrenalina.

Segue-se o editorial daquela que será a única edição do ano da Vert, antecipando a leitura da revista no final deste artigo. Ao longo das próximos tempos serão partilhados no Siso os principais artigos que compõe a Freedom Issue.

“Na entrevista que nos concedeu para esta edição digital, Jared Houston fez uma confissão curiosa sobre o futuro do bodyboard: “Talvez se mantenha assim como está para sempre”. É uma afirmação que rompe com o discurso maquilhado e inócuo que, por norma, nos é apresentado pelos bodyboarders profissionais. Impressiona, portanto, pela franqueza, embora seja a constatação do óbvio que é o atual status quo do microcosmo bodyboarder: do tour à indústria, a engrenagem está em ponto morto há vários anos. Porém, não será por aí, como sublinha o sul-africano, campeão do mundo, que o bodyboard está em risco, porque “enquanto houver pessoas apaixonadas, ele não morrerá.”

Os bodyboarders são uma comunidade especial e se há demonstração ardente que nos distingue dos demais essa será, com certeza, o modo livre e descomprometido como encaramos e vivemos o bodyboard. Na sombra de espectáculos mediáticos e de artifícios comerciais desprovidos da verdadeira essência surfer (porque todos o somos), o universo boogie gira em torno das ondas, da amizade e da exploração de territórios nunca antes palmilhados. Por isso, até se pode olhar para o (re)surgimento do Bunker, em anos recentes, como uma brilhante revolução independente do espírito bodyboarder. A malta portuguesa, exemplar pelo fervor bodyboarder que demonstra diariamente, afastou-se de areais minados por interesses obscuros e fez-se à estrada à procura de novos poisos em dias que o Atlântico dispara balas de elevado calibre rumo ao continente. Amplo exercício de liberdade, esse que ainda vamos vivendo neste nosso restrito (mas aberto!) grupo. Celebremos nas próximas páginas o privilégio dessa condição.”